segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Como as nuvens

Ontem, quando cheguei em Córdoba, senti muita diferença de Buenos Aires. Em tudo: na liberdade, no hotel sozinha, na facilidade de acessar a net e de se locomover na própria cidade. Aqui, eu divido apartamento com mais três meninas, são duas em cada quarto. A que está comigo é muito legal, mas somos todas tão diferentes... Nos conhecemos ontem mesmo, mas é tão estranho. Senti-me sozinha. Mais sozinha do que em Buenos Aires, quando, de fato, eu estava só. Nessas situações, concluo que eu sou mesmo minha melhor companhia.
Hoje pela manhã, me bateu aquela saudade de casa, da minha família, do meu namorado, dos meus amigos, dos meus discípulos e, acreditem, muita saudade da minha cachorrinha. Fiquei com uma vontade de chorar, me senti tão só. Fui para a primeira apresentação do curso, para ver nossas turmas, conhecer o lugar, os outros estudantes. Somos cerca de 60 brasileiros e uma canadense. Lá, fiquei quieta, olhando ao redor, observando. Conversei com algumas pessoas. Tem gente de todo tipo, de todo os lugares, todas as idades, todas as formações e todos os objetivos. Nessa hora eu me lembrei das nuvens que eu observei enquanto eu estava no avião.
Olhando do alto, tinham algumas tão pequenas, que ficavam soltas no meio do céu, isoladas, sozinhas. As sombras que elas proporcionavam na terra eram insignificantes. A nuvem cresce à medida que os vapores d´água vão se condensando. Conforme esses vapores aumentam, as nuvens crescem. E a medida que elas crescem, elas se unem, se juntam cada vez mais.
Então, quando me vi sozinha aqui, com um monte de gente desconhecida, pensei: vou ser como as nuvens, que quanto mais crescem, mais se unem e vão mais alto. Até que, um dia, cumprem seu propósito todas juntas e fazem cair a chuva, tão importante para nós.

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